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Críticas
Ratatouille

Dirigido por Brad Bird. Com as vozes de Patton Oswalt, Ian Holm, Lou Romano, Peter Sohn, Brian Dennehy, Brad Garrett, Janeane Garofalo, Will Arnett, James Remar, John Ratzenberger e Peter O’Toole.

Um ambicioso ratinho francês chamado Remy sonha em se tornar um grande chef de cozinha. Para realizar seu sonho, Remy leva sua família do interior da França para o coração de Paris. Nessa jornada, acaba chegando por mero acaso logo no restaurante do seu chef predileto, Auguste Gusteau. Quando Remy ajuda a criar a receita de uma sopa única, acaba dando início a uma incrível e emocionante corrida de ratos em toda a cidade, o que permite a ele conquistar o impossível e o seu verdadeiro dom.   

A história dos estúdios Pixar tem certa tangência com a de Brad Bird, um dos seus diretores mais talentosos. Os dois surgiram pequenos no mundo cinematográfico, o que não lhes impediu de serem ovacionados com suas primeiras criações – a Pixar com o curta “Tin Toy”, depois com “Toy Story” e Bird com “O Gigante de Ferro”. Um foi tão grande que derrubou a Disney do primeiro lugar nos longas animados, o outro foi grande demais para o então recém-criado departamento de animações da Warner no qual debutava. E até agora a principal características de estúdio e criador é a regularidade de suas crias. Enquanto a Pixar tem apenas um pequeno escorregão com “Carros”, Bird consegue, mais uma vez, se superar.

 “Ratatouille” (Idem, EUA, 2007) é o novo passo à frente do diretor, que antes trouxe ao mundo a sátira/homenagem aos quadrinhos, “Os Incríveis”. Dessa vez ele conta a história do ratinho Remy, um indivíduo muito especial em sua espécie. Dono de um paladar e olfato muitíssimo apurados, ele recusa-se a comer qualquer coisa co mo um roedor comum. Seu sonho é estar ao lado de um verdadeiro cheff – ou sê-lo. Seu ídolo é Gusteau, dono do restaurante mais badalado da cidade de melhor culinária no mundo, Paris. Quando o famoso cozinheiro morre, o restaurante passa às mãos de Skinner, que começa a criar pratos congelados a partir das receitas de Gusteau. O novo chefe recebe, então, mais um empregado, Linguini. Ele também sonha em cozinhar, mas não tem o talento em si. Nessas voltas que o mundo dá, ele acaba amigo do ratinho Remy e os dois se tornarão a sensação da culinária parisiense. Enquanto o humano é a cara, o roedor é a criatividade da dupla. Claro que o segredo de que um não é nada sem o outro terá de ser bem guardado.

 Ao assistir à animação tem-se a sensação de que a velha história de superar seus limites raramente foi tão bem contada. Culpa do roteiro que mistura cenas de puro humor pastelão com situações curiosas como quando Remy anda perdido pelos esgotos de Paris sem saber onde está, e também momentos de total lirismo – os minutos finais quando o crítico Anton Ego vai aos Gusteau’s e faz sua reflexão são de uma beleza extraordinária.

E mais, quem não sair do cinema com vontade de comer algo bem elaborado merece uma crítica tão medonha quanto às piores que Ego pode escrever. Os vários pratos que passam pela tela são uma ode ao bom paladar. Em determinado momento, um personagem explica que para se saber se o pão está realmente fresco é preciso apertá-lo e ter atenção ao som que ele emite. Escutar aquele barulho típico de um pão assado há pouco, é de encher a boca d’água. Se um filme pode ser avaliado pelo quanto mexe com o espectador, “Ratatouille” figura entre os melhores ao fazer estômagos clamarem por uma sopa realmente gostosa ou algo do tipo. Ponto para os animadores do longa, que fazem tudo muito real, da omelete preparada por Remy na casa de Linguini ao prato que marca o ápice do filme e lhe dá nome.

 Outra boa escolha de Bird e sua equipe é tratar tudo à lá M. Night Shyamalan, ou seja, o fantástico com pés bem fincados no verossímil. Assim não temos um diálogo travado entre humanos e ratos, mesmo que eles acabem se entendendo. E ver um desses bichinhos numa cozinha não seria algo muito agradável como deixa claro o filme, ainda que ele tenha o cuidado de lavar suas patas dianteiras antes de preparar o jantar.

 Sem dúvida, esse é um dos grandes concorrentes ao Oscar de Melhor Filme de Animação de 2007. E mais que isso, a Pixar, que parece querer dar novos passos em outras direções mais pretensiosas – seu próximo trabalho “Wall-E” versa sobre um robô que ganha consciência de si – mostra que filmes de bichinhos fofinhos podem ser bem mais que algo a se achar bonitinho, mas, sim, levado muito à sério, ao falar sobre rejeição, vaidade, sonho e até machismo, na figura de Collete, única cheff em maio a vários homens. Tudo de forma madura e leve. Imperdível.

Por Vinícius Ferreira - colaborador

 

 

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