Direção: Francis Lawrence Roteiro: Akiva Goldsman,Mark Protosevich Elenco: Will Smith (Neville), Alice Braga (Anna), Salli Richardson (Ginny), Paradox Pollack (Alpha), Charlie Tahan (Ethan)
Sinopse: Robert Neville é um cientista brilhante, mas nem mesmo ele pôde conter o terrível vírus que foi impossível de ser detido, incurável e criado pelo homem. De alguma forma imune, Neville é agora o último ser humano que sobrevive na cidade de Nova York, e talvez no mundo. Por três anos, Neville tem enviado mensagens de rádio diariamente, desesperado para encontrar outros sobreviventes que possam estar em algum lugar. Mas ele não está sozinho. Vítimas mutantes da praga, os Infectados espreitam nas sombras observando cada passo de Neville, esperando que cometa um erro fatal. Talvez a melhor, e única, esperança da humanidade, Neville é motivado somente por uma missão: achar um meio de reverter os efeitos do vírus usando seu próprio sangue imune. Mas ele sabe que está em desvantagem... e rapidamente ficando sem tempo.

As más críticas que “Eu Sou a Lenda” (I Am Legend, 2008, EUA) vem recebendo o fazem ser comparado ao “Guerra dos Mundos” de Steven Spierlberg: longa eletrizante com final risível. Já as boas críticas pouco se preocupam com o desfecho da história e enfocam a ótima atuação de Will Smith, além da boa direção de Francis Lawrence.
A resposta para qual das opiniões estaria certa é uma questão de gosto, que, ao ser discutido, deve trazer argumentos e contra-argumentos relevantes. No caso deste texto, a segunda categoria, a que versa sobre as qualidades do filme por inteiro, é a melhor opção para encaixá-lo.
Os motivos começam pela forma como toda a história é apresentada, havendo mais acertos que erros. Veja o caso dos minutos iniciais em que Will Smith caça um cervo em uma Nova Iorque tomada pela natureza. Prédios em ruínas e um caos silencioso marcam as andanças de Robert Neville e de sua cadela Sam na busca pela sobrevivência, depois que praticamente toda a humanidade foi dizimada por um vírus que transforma pessoas em vampiros-zumbis. Como em quase todo o resto de “Eu Sou a Lenda”, a cena inicial é caracterizada pelo misto de ação e melancolia ao se acompanhar a movimentação solitária de Neville em meio ao que um dia foi a maior cidade do mundo. Junte ao caldo doses cavalares de suspense e tem-se uma história que consegue se manter muitíssimo interessante durante os 100 minutos do filme.

Os escorregões existem realmente. Entre eles diluir toda a ação de isolamento de Manhattam em vários flashbacks, minando forças da seqüência, ou inacreditavelmente fazer com a personagem de Alice Braga, Anna, simplesmente ignore a existência de Bob Marley, o que não a distancia de quem está do lado de cá da tela. Há ainda a questão do desfecho do filme. Sim, o epílogo é um tanto apressado, principalmente se for levado em conta como o roteiro gasta dois terços de seu tempo desenvolvendo o protagonista, dando-lhe dimensões reais. Porém, tematicamente ele não se opõe ao restante do filme – spoiler, não leia se não viu o filme: em nenhum momento o roteiro tem marcas pessimistas; um final otimista, mesmo que corrido, fecha bem a história -, fora que Hollywood nunca foi de ousar demais em seus blockbusters.
Então, mesmo como todos os defeitos, “Eu Sou a Lenda” não chega nem perto de ser uma decepção como a dos minutos finais de “Guerra dos Mundos”. Se há mais algum ponto contra, pode-se discutir o visual das criaturas que aterrorizam o protagonista. Contudo, pela opção de enorme agilidade que Lawrence queria dar aos vilões, bonecos digitais eram a melhor escolha. Seria possível fazer algo mais parecido com o que se vê em “Abismo do Medo”, em que atores maquiados travam a platéia de medo, mas isso impossibilitaria algumas boas seqüências concebidas pelo diretor. Enfim, em detrimento a um medo maior optou-se pela ação, mais uma vez questão de gosto.

Gostando ou não do produto final, uma coisa é certa: Will Smith mostra que não à toa é o grande astro do momento. Quer precise de alguém que saia no braço com seres estranhos e outros vilões, quer necessite de um ator que tenha sensibilidade para interpretações intensas, ele é uma ótima opção. E isso é uma questão de competência, não de gosto.
|