Direção: Chris Carter Roteiro: Chris Carter,Frank Spotnitz Elenco: Gillian Anderson (Agente Dana Scully), Amanda Peet, David Duchovny (Agente Fox Mulder), Billy Connolly, Xzibit, Callum Keith Rennie, Adam Godley
De cara é bom responder à pergunta que mais se faz quando uma continuação chega aos cinemas: “É melhor que o original?”. No caso de “Arquivo X – Eu Quero Acreditar” (The X Files – I Want to Believe, EUA/Canadá, 2008) a resposta não é tão simples, mas para resumir o assunto pode-se dizer que ele está no mesmo nível de seu predecessor, de 1998. Contudo, ambos estão abaixo do que a série já trouxe às telinhas.
A mitologia na qual o programa se tornou durante seus nove anos, ainda não ganhou um representante à altura nos cinemas, o que não quer dizer que ao entrar na sala para uma sessão dessa segunda incursão da série na grande tela você acompanhará um filme ruim. A mente por trás dos mistérios de “Arquivo X”, Chris Carter, dessa vez assume tanto roteiro quanto direção e se sai com uma história misteriosa na medida e fantástica o bastante para fazer os “X-ers” se sentirem satisfeitos.
Há anos afastados do FBI, após o fechamento do braço que investigava os casos inexplicáveis com os quais o bureau se deparava, Fox Mulder e Dana Scully se reencontram devido ao sumiço de uma agente da polícia federal norte-americana. Eles entram meio de gaiato na busca de uma ligação entre o caso e Padre Joseph Crissman, um condenado por pedofilia que diz ter visões com o sumiço daquela mulher.
Crescendo nos momentos drama, particularmente os do casal de protagonistas, “Eu Quero Acreditar” ainda propõe discutir fé e ciência de sob o foco das relações humanas, decisão inteligente de Carter, uma vez que evita reabrir toda a discussão da série a respeito de conspirações alienígenas sem deixar de citar o passado dos personagens e levar em conta seus demônios.
O que não garante a angariação de novo público ao “universo X”. A história em si, mesmo com toda a qualidade de suas discussões, não propõe algo verdadeiramente novo ou que rivalize com todos os apelos de um “Lost”, por exemplo. O típico produto consumido pela geração que na década de 1990 ainda nem tinha noção do significado de termos como abdução, híbridos ou canceroso – se você é fã vai saber a conexão dessas três palavras.
Sendo parte de um todo, “Arquivo X – Eu Quero Acreditar” pode se mostrar bem mais interessante do que realmente é, ao envolver nostalgia, respeito e paixão. Sozinho, é um bom thriller, com suas limitações e erros, mas várias qualidades.
Nota: 8
Por Vinícius Ferreira
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